Um mini-microscópio projetado por uma empresa francesa permitiu a descoberta de uma estrutura da anatomia humana antes despercebida, e que pode desempenhar um papel na disseminação do câncer. Em um estudo publicado esta semana pela Scientific Reports, pesquisadores norte-americanos relatam a descoberta do que consideram um possível novo órgão, o interstício. Se outros cientistas contestam o termo "órgão", que consideram exagerado, essa descoberta pode ter implicações para uma melhor compreensão do câncer. O interstício é uma vasta rede de tecidos presentes sob a pele, ao longo de certos órgãos (pulmões, sistemas digestivo e urinário...) ou ao redor das artérias e veias. Acreditava-se até então que esses tecidos eram compactos. Na realidade, de acordo com este estudo, consistem em uma infinidade de compartimentos cheios de fluido. Os autores do estudo comparam esses tecidos a "uma estrada fluida em movimento" que poderia, assim, promover a disseminação do câncer por todo o corpo. A estrutura desses tecidos permaneceu por muito tempo desconhecida devido às técnicas convencionais de microscopia. Para observar um tecido ao microscópio, retira-se, prepara com produtos químicos e corta em finas lâminas. O problema no caso do interstício: essa técnica o esvazia de seus fluidos e o esmaga "como um prédio que desmorona", segundo o comunicado dos autores do estudo. Consequência: sob o microscópio, esses tecidos parecem compactos, quando não o são. Foi uma nova técnica, desenvolvida pela empresa francesa Mauna Kea Technologies, que permitiu aos pesquisadores descobrir a verdadeira natureza desses tecidos. Essa técnica, a endomicroscopia confocal a laser, consiste em colocar um pequeno microscópio diretamente no corpo do paciente. "Os tecidos são observados em seu ambiente natural, in vivo, o que permite que os médicos melhorem significativamente o diagnóstico e o tratamento em várias condições", diz Sacha Loiseau, CEO e fundador da Mauna Kea Technologies. No caso do interstício, a descoberta foi feita por acaso, durante o exame dos ductos biliares de um paciente utilizando essa técnica. Ela se baseia no uso de fibra óptica combinada com um sistema de varredura a laser. "O médico coloca um endoscópio no corpo do paciente, e nossa pequena sonda (de 0,8 a 2,5 milímetros, dependendo do modelo) entra no endoscópio e se posiciona no local desejado", diz Loiseau, cuja empresa opera principalmente nos Estados Unidos e na China. As indicações para as quais esta tecnologia é mais amplamente utilizada são problemas gastroesofágicos, câncer pancreático, câncer de bexiga, câncer de pulmão ou doença inflamatória intestinal, como a doença de Crohn. AFP
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Silveira Rocha
Jornalista profissional, cronista, editorialista, produtor de campanhas políticas, empresariais, ambientais e culturais. Atua no jornalismo desde 1986. E-mail: roccha2010@hotmail.com - Telefones: (88) 99941-2617 ou WhatsApp 99636-6616. Canais da Internet: silveiraroccha.blogspot.com - Facebook (Silveira Rocha).
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