segunda-feira, 1 de maio de 2017

Era uma vez um homem e o seu tempo: aspectos éticos e estéticos na lírica de Belchior



O propósito deste artigo é apontar, por meio do levantamento de características recorrentes em letras poéticas criadas pelo poeta-compositor Belchior, a existência de um projeto ético e ao mesmo tempo estético em sua produção lírica. Esse projeto concretiza-se com o engajamento dos textos nos problemas políticos e sociais vividos pela juventude no período da ditadura militar e na contemporaneidade, a inserção da problemática da identidade nordestina e brasileira em sua poética, bem como com a presença de indagações existenciais do sujeito universal. Um outro fator de empenho se dá pela via da intertextualidade, pelo incessante diálogo que as letras de suas canções estabelecem com a obra de poetas do cânone literário nacional e mesmo ocidental. Dir-se-ia, portanto, que a produção poética de Belchior está ancorada no “instinto de nacionalidade”, expressão cunhada por Machado de Assis para aludir ao sentimento que torna o intelectual “homem do seu tempo e do seu país”.

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