sábado, 13 de junho de 2015

Coisas que o tempo não explica







Redação (12/02/2009)- O Programa Avestruz do Ceará, lançado em 2007 com grande repercussão na mídia, está suspenso temporariamente por falta de empresa para concorrer à licitação pública. Isto porque o principal empreendimento capaz de atender às exigências do Estado, a empresa Aravestruz, fechou as portas em Sobral. O que parecia um mega projeto para a região de Patos — distante 50km da sede sobralense, em geração de emprego e renda para aquela comunidade — não passou de mera ilusão, considerando o complexo da estrutiocultura industrial montando no local e que se encontra hoje em visível estado de abandono. 

O empreendimento, pertencente ao grupo Aravestruz Nordeste S/A, instalado naquela localidade em meados do 2005, era composto de frigorífico, fazenda, fábrica de ração, central de incubação e curtume. De acordo com dados fornecidos pela empresa, o complexo chegou a produzir e exportar peças de couro de avestruz para países como Estados Unidos, México e Alemanha.

Um ano após a instalação da indústria na cidade de Sobral, o empresário e proprietário do Complexo, Maurício Lupifieri informava na época que “em apenas 12 meses de funcionamento a produção já havia atingida 60 mil aves abatidas por ano, com capacidade de estocagem de 30 toneladas de carne”. E comemorava: “Somos o único do Nordeste específico de avestruz com selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)”. 


Hoje esta informação é contestada por alguns moradores de Patos. “Abate mesmo só acontecia quando os fiscais federais vinham visitar o frigorífico, depois disso ficava novamente tudo parado”, conta o morador Luiz Gonzaga, que mantém um comércio quase em frente ao portão de acesso ao frigorífico industrial. 

A chegada da Aravestruz Nordeste na região foi acompanhada de uma má notícia, a de que uma outra empresa do ramo, a Avestruz Master, com cerca de mil investidores e quase 30 franquias em todo o País, com sede em Goiânia, teria fechado as portas, assim como seus escritórios regionais, deixando de honrar pagamentos de alguns milhões de reais.

Hoje, na empresa instalada em Patos, encontra-se apenas um dos três funcionários que são basicamente os responsáveis pela vigilância do prédio do frigorífico. “Existe uma promessa para que o frigorífico volte a funcionar, uma empresa estaria alugando o prédio”, disse o vigia, identificado apenas por Messias, que recebeu a reportagem no portão da entrada do frigorífico. 

No local onde foi implantada a fazenda, o quadro denota total abandono. A energia está cortada e os aparelhos de ar-condicionado não estão mais no local. “Eles levaram tudo que tinha aqui, inclusive algumas cabeças de avestruz que eram mantidas na fazenda”, contou um morador da região de Patos que preferiu não ser identificado.

O líder comunitário Enoque Sousa disse que, no primeiro momento, as 168 famílias da localidade viveram uma grande ansiedade, uma esperança de ter o tão sonhado emprego. “Eu fui um dos que acreditava no empreendimento, cheguei a ceder um pedaço de terra para implantarem a fazenda, e hoje vejo com tristeza o abandono desse complexo”, disse Sousa.

Estado surpreso 

O secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado, Camilo Santana, informa que a notícia da desativação da indústria no norte do Ceará causa surpresa pelo fato do Estado ter procurado alternativas para continuar incentivando os criadores de avestruz a manter a produção. Confirmado oficialmente o fechamento do complexo em Patos, o secretário acredita que se torna inviabilizado no momento manter qualquer programa de incentivo a criação de estrutiocultura. “O Estado, por muitos anos, apostou na criação de avestruz como uma alternativa de comercialização no Ceará. Mas a dificuldade neste ramo de atividade é exatamente a comercialização. Como se trata de um produto basicamente de exportação, o Estado não tem um potencial para o consumo da carne. Encontramos várias barreiras para o crescimento desse ramo de atividade”, esclarece Santana.

“Mas não desistimos do projeto. Se um pequeno produtor quiser insistir na produção de avestruz, correr por contra própria o risco, o Estado dispõe de financiamento”, adiantou Camilo Santana.

Sobre o laçamento do programa em 2007, o secretário informou que “como se trata de um investimento com dinheiro público, o programa está sendo revisto. O nosso produtor está com dificuldade em se manter numa cadeia produtiva, por conta do fornecedor que era a Aravestruz, praticamente fora do mercado. Nós estamos tentando buscar outras empresas brasileiras, que possam garantir, além da matéria-prima, assistência técnica”, afirmou Camilo Santana.

Na entrada da fazenda de Patos existe uma placa que informa o número do telefone do Departamento de Produção da Aravestruz. A reportagem tentou contato, por diversas vezes, mas, no número discado, ninguém atendeu.

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