quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Seja bem-vinda chuva!


Choveu ai? O aí que eu perguntou é no sertão, onde a chuva chega e provoca mesma sensação que tem uma criança quando reencontra a chupeta no meio da noite. Para o homem da cidade ela representa menos, pois ele só precisa do clima ameno. Na verdade o homem da cidade não sente necessidade da presença da chuva e sim da ausência do sol que o castiga o ano todo.

Você é capaz de imaginar o grau de satisfação que tem o homem do campo, que vai dormir próximo de uma cuia com o milho que ele irá plantar na manhã seguinte? Você é capaz de compreender o valor da chuva, sua preciosidade em termos de seiva... Coisas assim? É verdade que a água que vem do Céu difere da que existe no solo? Por que será, hein?

Quando chove no campo o sertanejo reza, ajoelha-se e agradece a Deus. O da cidade, por sua vez, reclama se a chuva demora a passar, do lamaçal que ela provoca, do bafo gripante, dos respingos no telhado, no mofo que invade o armário e guarda-roupas... Ah, o homem da cidade não sabe dar valor à chuva que tem; não sabe aproveita-la, alias, o que ele quer é o clima mudando, as noites ficando mais frescas e a bebida esquentando os couros.

Quando a chuva cai no campo o gado muge, as borboletas se alvoroçam, os sapos ficam estéreis, os vagalumes clareiam à escuridão, fazendo guarda até o nascer do sol, que vem com o canto autoritário dos galos. De repente o verde reveste o chão e faz recender o perfume das matas, causando a alegria de todos os seres naturais.

Estamos no limite. Não sobreviveríamos a mais uma seca, nossos governantes se renderem, e só nos restou a piedade de Deus, que sempre chega na hora mais precisa. Viva à chuva!



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