domingo, 18 de dezembro de 2016

Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (18)



A PEC que estabelece um teto para as despesas públicas foi promulgada em sessão solene do Congresso na manhã da última quinta-feira. Agora é lei: gastos públicos só poderão aumentar de acordo com a inflação do ano anterior.
O Ceará foi o primeiro Estado da Federação a seguir na mesma linha da União, embora montado em um projeto com algumas variações. A medida compõe o pacote que o petista Camilo Santana enviou à Assembleia Legislativa. Há um mês, o secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Filho, já havia defendido a proposta do teto nacional em entrevista ao programa Jogo Político, da TV O POVO.
A situação é repleta de significados políticos. Na prática, um Governo do PT concede aval a uma proposta que os petistas aprenderam a chamar de PEC do fim do mundo. Camilo é do PT, mas segue a orientação política de Cid Gomes do PDT, partido que ameaça expulsar seus três senadores que votaram a favor da proposta de Michel Temer.
No Ceará, o principal formulador da proposta local foi o respeitado secretário Mauro Filho, economista de confiança de Ciro Gomes. Ironicamente, Ciro acaba de assinar uma nota pública com a seguinte frase: “Infelizmente, a bancada do PDT no Senado traiu a confiança e a orientação do partido e votou a favor desta criminosa emenda”.
Por esse raciocínio, vale a provocação: Camilo Santana e Mauro Filho traíram a “confiança e a orientação” do PDT. A questão que permanece é a seguinte: como se comportará a bancada de deputados estaduais do PDT e sua área de influência na Assembleia Legislativa na hora de votar a “criminosa emenda”? Pois é.
Não esperemos coerência. Em política, sempre haverá brechas para justificativas as mais variadas. O fato é que quem está no comando do Governo e das finanças públicas sabe bem onde o sapato aperta. Camilo sabe. Mauro sabe. Ciro está fazendo política.

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