sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Pesquisa da UFC sobre custos do tratamento da incontinência urinária é premiada





Os professores Mônica Oriá, Camila Vasconcelos e Leonardo Bezerra, e a enfermeira Dayana Sabóia integram a equipe que desenvolveu o estudo (Foto: Complexo Hospitalar da UFC)
O 56º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia premiou um trabalho da Universidade Federal do Ceará que analisa dados referentes à incontinência urinária feminina no Brasil. Trata-se de um levantamento inédito sobre os custos médicos e custos não médicos da rede pública de saúde com o tratamento dessa condição, que afeta diretamente a qualidade de vida da mulher.

Em um contexto de escassez de dados nacionais sobre o tema, a pesquisa intitulada Análise dos custos da correção cirúrgica para incontinência urinária no Brasil compara tempo de permanência hospitalar, valor do procedimento cirúrgico e taxa de mortalidade associada aos procedimentos cirúrgicos pelas vias vaginal e abdominal.

O trabalho foi desenvolvido pelo Núcleo de Estudo e Pesquisa em Promoção da Saúde Sexual e Reprodutiva (NEPPSS), com autoria dos professores Leonardo Bezerra (Departamento de Saúde Materno-Infantil), Mônica Oriá e Camila Vasconcelos (ambas do Departamento de Enfermagem), junto com a enfermeira Dayana Sabóia e os estudantes Ananias Vasconcelos (médico e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Cirurgia) e Karine Bezerra (enfermeira e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem). A premiação no congresso – o principal da área na América Latina – é mais um indicativo da qualidade da produção acadêmica da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem (FFOE) da UFC.

RESULTADOS – De acordo com os pesquisadores do NEPPSS, "a incontinência urinária não traz riscos à vida, mas tem grande impacto na qualidade de vida das pacientes, interferindo nas áreas social, psicológica e sexual. Os custos moral e psicológico dessa disfunção são pouco conhecidos. Quanto aos custos econômicos, os valores no Brasil ainda são pouco explorados".

A pesquisa avança na identificação desses custos. Dentre os resultados, calcula-se que o valor médio das internações variou de R$ 329,97 a R$ 494,95. A média é de R$ 382,65 para o tratamento cirúrgico da incontinência urinária via vaginal e R$396,67 para abdominal. O tempo de internação de 1,5 a 3,9 dias (média de 2,3 dias) foi equivalente para as duas vias. Na região Centro-Oeste, os valores foram mais altos para ambas as vias cirúrgicas, R$ 391,53 para via vaginal e R$ 406,53 para via abdominal, seguida pelas regiões Sul e Sudeste. Devido às características do banco de dados utilizado, não foram mensurados os gastos com tratamentos conservadores e não foram contabilizadas as reoperações. "Portanto, podemos concluir que os custos encontrados, embora altos, ainda estão abaixo do real", classifica a pesquisa.

NÚMERO DE INTERNAÇÕES – No estudo, verificou-se que entre o período de janeiro de 2008 a junho de 2014 foi realizado um total de 48.455 internações hospitalares para tratamento cirúrgico de incontinência urinária, com média de 6.922 procedimentos realizados ao ano. Houve maior prevalência de internações nas regiões Sudeste, com 45,02%, e Nordeste, com 17,16%. Os autores da pesquisa avaliam que a maior prevalência de internações nas nessas duas regiões pode estar relacionada com melhorias no reconhecimento do problema e na acessibilidade aos serviços de saúde.

Fonte: Núcleo de Estudo e Pesquisa em Promoção da Saúde Sexual e Reprodutiva (NEPPSS) da UFC - Profª Mônica Oriá (profmonicaoria@gmail.com); Profª Camila Vasconcelos (camilamoreiravasco@gmail.com); Prof. Leonardo Bezerra (leosobreira@uol.com.br).

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