sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Peia de pano




Minha avó, Marta, carinhosamente chamada de Martinha, adotara um mulato, batizado com o nome de José Maria, um "pedaço" de gente, que não dava sossego à vozinha, ao menos enquanto não dormia.

Eram muitas suas estripulias, sendo que as mais aviltantes tiravam sua mãe adotiva do senso e esta partia para o revide às peripécias do mulato, surrando-o com um pedaço de pano... Era uma verdadeira "Divina Comédia Humana". A redondeza inteira se compadecia das lamúrias do ...Zé Maria, durante aquele "espancamento" com um pedaço de pano, que sequer maltrataria um pinto.

Vendo a cena do Anthony Garotinho, lembrei-me da vozinha e do Zé, os dois já no andar de cima, e resolvi comentar um pouco. Bem, na verdade eu não sei quem é mais ridículo, se o Garotinho com seu histerismo, ou se a Justiça, que bate nos políticos com um pedaço de pano.

Não cabe na minha cabeça de poucos miolos um tratamento dessa natureza. Político que rouba, desvia, corrompe... Deve perder o mandato para sempre e devolver ao ente subtraído, tudo o que lhe beneficiara. Desde quando eu me entendo como ser, nunca vi ladrão do colarinho branco devolvendo frutos de roubalheira.

Vi os casos da Jorgina de Freitas, do juiz Lalau, dos mensaleiros e de centenas de operações deflagradas pela Polícia Federal. Fico a desconfiar que a ação da Justiça, assim como o pedaço de pano da vó Martinha, serve somente para um faz de conta. Senhores juízes, promotores, senhores e senhoras das leis, nós não precisamos de políticos presos, e sim que eles devolvam integralmente o que nos roubam.

Aliás, eu tenho dito que só irei aplaudir a Lava Jato quando ela começar a prestar contas com cada ladrão, cada corrompido e corruptor, das riquezas devastadas, e que ela vá além dos políticos, que vá ao tráfico, pois enquanto a Justiça faz cerco aos políticos os comandos estão tomando conta do país, e isso é imoral ao extremo.

Garotinho, Cabral e todos os demais presos e na fila da prisão, devem pagar o que desviaram, perder mandato, ser destituído da vida pública e deixar o povo brasileiro em paz.

A cena do Garotinho não passou de comédia; não passou de um "menino" chorando com medo do bicho papão. Logo mais ele e os demais estarão na riqueza dos seus lares comemorando a soltura e gastando o dinheiro alheio, como sempre o fazem.

Silveira Rocha

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