quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O Brasil de difícil jeito



Enquanto o mundo comenta a vitória de Donald Trump, o Brasil está na iminência de acabar com mandato de Michel Temer, isto se o TCU confirmar a ilegalidade de repasses para a campanha de Dilma Rousseff, que teve o atual presidente como vice.

É admirável o trabalho que faz o juiz Sérgio Moro. Melhor ainda é sua intenção de fazer uma faxina geral no país, extirpando os atos de corrupção, que se tornaram epidêmicos e generalizados. A Lava Jato já mexeu com peças importantes da economia e da política, dando-nos uma prova inconteste de que a Justiça não está com predileções.

Seria, indecifrável neste momento, a emoção de ver o nosso país limpo, sem essa tal corrupção que invadiu a mente e o sangue das pessoas. A boa vontade do juiz o esforço do Judiciário, a ousadia dos delatores, tudo é muito interessante, no entanto, fica difícil fazer as duas coisas ao mesmo, que são moralizar o país e coloca-lo nos trilhos do crescimento.

Não será tarefa fácil para os contrários à ilegalidade, todavia, é precisa que entendamos que dificilmente iremos transformar um prostíbulo num convento de freiras e vice-versa. Penso que as coisas precisam ser tratadas de forma distinta. Se Temer for realmente culpado, que seja punido exemplarmente, porém, na atual conjuntura corremos o risco de ser ao mesmo tempo uma Nação criteriosa e falida.

E ritmo em que a economia está sendo tocada, creio que não deve ser interrompido. Vamos primeiro organizar o Brasil para encarar o que urgente, depois o voltamos para o combate ao que é secular, uma prática que veio nas caravelas. A Justiça tem ampla competência para neutralizar o governo que ai está, porém não sabe se será competente para lidar com a economia. É o caso de não jogar o comandante ao mar quando somente ele pode salvar o barco do naufrágio.

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