terça-feira, 8 de novembro de 2016

Existe aí um sinal?



Editorial

Curiosamente, o número de abstenções registradas na edição 2016 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) chegou ao patamar de 30%, número "batido" apenas pela edição de 2009, quando o porcentual ficou em 37,7%.

A ausência chegou muito próximo daquela registrada no segundo turno das eleições municipais, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou que 32,5% do eleitorado apto a votar preferiu se abster, anular ou escolher o voto branco.

Teríamos aí uma mensagem da massa jovem que busca o Enem para ingresso no ensino superior ou seria uma mera semelhança?

Analistas políticos afirmam que a alta abstenção no país é um claro sinal à classe política. A população não suporta mais a sistemática adotada no Brasil. O recado seria a cobrança pela realização de uma profunda reforma, na qual as regalias sejam "encurtadas" e as regras fiquem mais rígidas. A corrupção seria também um dos motivos do protesto. Há aí uma "tolerância zero" com aqueles que se corrompem quando chegam ao cargo público.

No entanto, fazendo a ligação entre Enem e eleições municipais, é interessante observar que ao passo que a sociedade cobra lisura dos políticos eleitos, usa do "jeitinho" brasileiro para se dar bem. Foram presas 11 pessoas, em 8 estados, por fraudes no Enem.

Para se ter ideia, a Polícia Federal descobriu que alguns candidatos chegaram a pagar a monta de R$ 180 mil para receberem de forma antecipada do gabarito da prova. A maioria dos "espertos" almejava ingressar no curso de Medicina.

Agora as perguntas que não querem calar: onde fica a condição moral de protestar por um país sem corrupção? A regra só vale para o outro? O que estou fazendo para mudar a realidade de desvios existente no país? O meu comportamento não credencia o governo corrupto que se instala na minha cidade, estado ou no país? Indagações que não deixam de levar a uma interpretação: o povo tem o governante que merece.

Embora cobrem a mudança, clamem por gente nova na política, sem mácula em sua trajetória, escolhem sempre as figuras com longa carreira no meio. Exemplo muito claro pode ser visto em Cuiabá.

O novo, que pregava mudança e se apresentou como alternativa, Renato Santtana (REDE) não conseguiu chegar nem aos 4 mil votos. Julier Sebastião (PDT), que também disputou pela primeira vez a um cargo político, não passou dos 23 mil votos.

Agora surge um outro questionamento: o grande número de inscritos no Enem que não compareceram para realizar a prova, protestavam pela qualidade do ensino? Ficaram com preguiça? Ou simplesmente não se prepararam para o exame e de última hora decidiram aproveitar o final de semana?

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